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sexta-feira, 1 de abril de 2011

A VERDADE SOBRE O DÍZIMO

A VERDADE SOBRE O DÍZIMO

O que é dízimo? Imediatamente você poderá imaginar: Dez por cento dos meus rendimentos para os cofres da igreja. Mas, será que o Senhor Deus ainda exige que praticamos alguma ordenança da lei do Antigo Testamento (da qual foi instituído o dízimo), mesmo depois que o seu amado filho Jesus, se entregou a si mesmo em sacrifício vivo e pela aspersão do seu sangue na cruz nos remiu dos pecados. Vamos meditar na palavra, e conhecer a verdade que envolve esse MITO chamado “dízimo”, que está sendo levado aos fieis de maneira distorcida, por muitos pregadores.
Porem, antes de iniciarmos o nosso estudo, vamos à consulta aos dicionários da língua portuguesa:
Dízimo: A décima parte.
Dízima: Contribuição ou imposto equivalente a décima parte dos rendimentos.
Como podemos observar, dízimo é a décima parte (de qualquer coisa) menos dos seus rendimentos. Porque a fração equivalente a dez por cento dos rendimentos chama-se Dízima. Mas, os pregadores pedem o dízimo, a confusão já começa por aí, não sabem o que querem e nem o significado do dízimo, porque na lei de Moisés, a qual foi por Cristo abolida (Hebreus 7.12,18, 19), o dízimo nunca foi dinheiro para os cofres das igrejas. Os dízimos aos levitas era exatamente dez por cento das colheitas dos grãos, dos frutos das árvores e dos animais que nasciam em um determinado período. Alimento destinado a suprir as necessidades dos levitas que não tinham parte nem herança na terra prometida. Vejamos:
Deuteronômio 14.24 a 27 – E quando o lugar que escolher o Senhor teu Deus para fazer habitar o seu nome, for tão longe que não os possa levar, vende-os e ata o dinheiro na tua mão, e vai ao lugar que escolher o Senhor teu Deus e compre tudo o que a tua alma desejar, e come ali perante o Senhor teu Deus, e alegre tu e tua casa. Porem, não desamparará ao levita que está dentro das tuas portas e não tem parte e nem herança contigo.
Considere a profundidade do texto bíblico onde o Senhor evidencia que, se o lugar que escolheu o Senhor teu Deus, para levar o seu dízimo, for tão longe que não os possa levar, “Ele” instrui, que o seu dízimo deveria ser vendido, e o dinheiro atado na tua mão, (não é na mão de nenhuma outra pessoa), ir ao lugar que escolheu o Senhor, e comprar o que a tua alma desejar, para ali fazer habitar o nome do Senhor Deus.
Portando amados, se o “dízimo” fosse dinheiro, o Senhor não iria mandar vender o que já era espécie.
A palavra não deixa dúvida quanto ao dízimo da lei de Moisés, o qual nunca foi oferecido da forma que está sendo feito, porque o dízimo era consagrado ao Senhor. É profundamente lamentável o que está acontecendo, hoje o dízimo virou uma brincadeira, uma verdadeira farra nas igrejas, porque o dízimo não era dinheiro, mas sim, dez por cento da produtividade, para suprir as necessidades dos levitas, mas hoje não existe mais a personalidade representativa do levita entre nós.
Então alguém poderá apontar para Malaquias 3.10 para justificar que fora ordenado ao dízimo, ser levado para casa do tesouro. Isso não muda nada, a finalidade do dízimo continua sendo a mesma, ou seja, para produzir o sustento para os levitas.
Se meditarmos nos livros de II Crônicas 31.5 a 12 e Neemias 12.44 a 47 vamos entender melhor o porquê Malaquias mandou levar os dízimos a casa do tesouro. A palavra diz: Para que haja mantimento na minha casa. E o que é mantimento?
Mantimento: Aquilo que mantém, provisão, sustento, comida, dispêndio, gênero alimentício, etc.
Ainda em II Crônicas 31.13 a 19, a lei mencionava que o quinhão dos dízimos eram partilhados às comunidades dos levitas que trabalhavam nas tendas das congregações, segundo o ministério que cada um recebera do Senhor. Hoje o dízimo está sendo totalmente distorcido da forma original para o qual o Senhor Deus o determinou. Está sendo direcionado para o líder da igreja ou à cúpula de uma organização religiosa, onde ninguém mais sabe a que fim se destina esse montante. Enfim, o dízimo não fora criado para assalariar dirigentes das igrejas ou para prover as despesas pessoais desses, nem tão pouco destinado a realizar obras missionárias ou mesmo para construir templos.
É inegável, ainda que o dízimo não tivesse sido abolido, hoje o homem estaria desvirtuando a finalidade para a qual lei o instituiu.
No Antigo Testamento, o rigor da ordenança do dízimo era a garantia do mantimento com abundância. Pagava-se o dízimo, para receber recompensa das coisas materiais, mas Cristo em sacrifício vivo, pagou o mais alto preço, pagou o preço de sangue para que recebamos a paz, a graça e a oferta da vida eterna.
No Evangelho de Cristo, “Ele” nos ensina que não precisamos mais pagar dízimo para garantir as necessidades cotidiana de coisas materiais (alimento, vestimenta, etc.), a prioridade hoje é buscar primeiramente o Reino de Deus e sua justiça e as demais coisas nos serão acrescentadas (Mateus 6.25 a 33). E para receber a graça e as bênçãos do Senhor não precisamos pagar mais nada (Mateus 10.7 a 10). É “Ele”, quem nos dá a vida, a respiração, e todas as coisas (Atos 17.25). Esta verdade sempre foi omissa pelos pregadores.
OS DÍZIMOS ANTES DA LEI
O DÍZIMO DE ABRAÃO - Gênesis 14.18-20 – Abraão deu o dízimo dos despojos da guerra ao Rei Melquisedeque, sacerdote do Deus altíssimo, e foi por ele abençoado.
O DÍZIMO DE JACÓ - Gênesis 28.20-22 – Jacó fez um voto ao Senhor, prometendo-lhe dar o dízimo de tudo quanto ganhasse, se em sua jornada fosse por “Ele” protegido e abençoado.
Em ambos os acontecimentos, não há registro na palavra do Senhor que tenha havido ordenanças ou determinação para que se dessem os dízimos. Especificamente nesses casos, deu-se por uma iniciativa voluntária, espontânea, ou por voto, como forma de reconhecimento, agradecimento, honra e glória ao Senhor Deus, pelas bênçãos recebidas e pelas vitórias conquistadas. Assim sendo, hoje não se pode tomar como exemplo os dízimos de Abraão e Jacó, como fundamento para implantá-lo como regra geral de doutrina nas igrejas, com o propósito de receber bênçãos e salvação, como muitos pregadores fazem, coagindo e chantageando os fieis em nome do sacrifício do Senhor Jesus.
O DÍZIMO PELA LEI - Números 18.21, 24, 26 – O pagamento do dízimo teve ordenança, fazendo parte do contexto da lei do Antigo Testamento, e tinha caráter de caridade, pois a sua principal finalidade era suprir as necessidades dos Levitas que não tinham parte nem herança na terra prometida, e também dos estrangeiros, órfãos e viúvas.
Deuteronômio 14.29 - Então virá o levita (pois nem parte nem herança tem contigo), e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão; para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda a obra das tuas mãos que fizeres.
Está na palavra, o Dízimo foi criado por Deus, com a finalidade exclusiva de fazer caridade aos necessitados, hoje é empregado com outros fins, diverso daquele que o Senhor mandou.
Mas, ainda que os dirigentes das igrejas revertessem toda a renda dos dízimos e ofertas em obras sociais, ainda não estavam em conformidade com a palavra do Senhor, pois alem do dízimo ter sido abolido (Hebreus 7.5-12), a caridade ou amor ao próximo, é algo muito profundo, é individual e intransferível, é entre você e Deus (Mateus 6.1 a 4).
Outro detalhe interessante que precisamos conhecer, quando o dízimo foi instituído pela lei (Números 18.20 a 24), com a finalidade de manter os filhos de Levi que administrariam o ministério na tenda da congregação, o quais não receberam parte nem herança na terra prometida, (Números 18.24”b”), disse o Senhor que os filhos de Levi não teriam nenhuma herança no meio dos filhos de Israel.
As demais tribos de Israel dizimavam aos Levitas o necessário para a manutenção cotidiana, porque não possuíam propriedades na terra. Hoje, a situação está inversa, os trabalhadores, a maioria deles assalariados, ofertam o dízimo para os que vivem sem trabalhar e em abundância de bens, para manter a mordomia desses, sob pretexto de ministrar a obra de Deus.
O DÍZIMO NO EVANGELHO DE CRISTO - Marcos 16. 15 e 16, disse Jesus: Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado, será salvo, mas quem não crer será condenado.
O Senhor Jesus mandou pregar o Evangelho, para que crendo, recebamos a salvação (I Coríntios 15.1, 2). Foi para isso que “Ele” deu a sua vida. E onde está a ordenança para o dízimo, senão no Antigo Testamento? Porque então o homem insiste em pregar e manter as ordenanças da lei, as quais foram por Cristo abolidas? Pregar a velha aliança, é mutilar o Evangelho de Cristo, e sobrecarregar as ovelhas de pesados fardos, escravizando os que buscam a liberdade, verdadeiros condutores cegos, porque o Senhor assim os declara (Mateus 15.14).
No Evangelho de Cristo “Ele” nos ensina fazer caridade, nos ensina a orar, a jejuar (Mateus 6.1 a 18), e uma infinidade de outros ensinamentos, porém nas duas únicas vezes que “Ele” referiu-se aos dízimos, foi com censura. Vejamos:
Mateus 23.23 – Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o Juízo, a misericórdia e a fé; deveis porém, fazer estas coisas e não omitir aquelas.
Alguém poderá considerar que Jesus ordenou que se dizimasse, porque “Ele” disse que “Deveis fazer estas coisas”. Vamos buscar o entendimento espiritual na palavra do Mestre:
Jesus era um judeu, nascido sob a lei (Gálatas 4.4). Portanto, viveu Jesus na tutela da lei de Moisés, reconheceu-a, e disse dessa forma, pela responsabilidade de cumprir a lei. Vejamos:
Mateus 5.17, 18 – Disse Jesus: Não cuideis que vim abolir a lei e os profetas, mas vim para cumpri-la, e, nem um jota ou til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.
E verdadeiramente Ele cumpriu a lei. Foi circuncidado aos oito dias, foi apresentado na sinagoga (Lucas 2. 21-24), assumiu o seu sacerdócio aos trinta anos (Lucas 3.23, Números 4.43, 47), curou o leproso e depois o mandou apresentar ao Sacerdote a oferta que Moisés ordenou (Mateus 8.4, Levíticos 14.1...), e cumpriu outras formalidades cerimoniais da lei.
Porém, quando Cristo rendeu o seu espírito a Deus (Mateus 27.50,51), o véu do templo rasgou-se de alto a baixo, então passamos a viver, pela graça do Senhor Jesus, encerrando-se ali, toda ordenança da lei de Moisés, sendo abolido o Antigo e introduzido o Novo Testamento, o Evangelho da salvação do Senhor Jesus Cristo.
O que precisamos entender de vez por todas, que Cristo não veio a ensinar os Judeus a viverem bem a Velha Aliança, “Ele” disse: “Um novo mandamento vos dou” João 13.34. “Se a justiça provem da lei, segue-se que Cristo morreu em vão” (Gálatas 2.21).
Em Mateus 5.20 disse Jesus: Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.
Observem que o Senhor Jesus Cristo mandou justamente os escribas e fariseus (os quais o Senhor sempre os tratava por hipócritas, falsos) que cumprissem a lei de Moisés, lei que ordena o pagamento do dízimo. Nós porém, para herdarmos o reino dos céus, não podemos de forma alguma cumprir o ritual da lei Mosaica como faziam os escribas e fariseus, hipócritas, mas precisamos exceder essa lei, a qual foi por Cristo abolida. A “Graça” do Senhor Jesus excede a lei de Moisés e todo entendimento humano.
A Segunda vez que o Senhor Jesus referiu-se aos dízimos, foi na Parábola do Fariseu e do Publicano (Lucas 18.9 a 14) e outra vez censurou os dizimistas. Tomou como exemplo um homem religioso, que jejuava duas vezes por semana e dizia ser dizimista fiel, porém, exaltava a si mesmo e humilhava um pecador que suplicava a misericórdia do Senhor. Hoje não é diferente, muitos ainda exaltam-se dizendo: “Eu sou dizimista fiel”, mas nesta narrativa alegórica, o Senhor Jesus Cristo deixou bem claro, que no Evangelho, não há galardão para os dizimistas fieis, ao contrário, Jesus sempre os censurou.
A ABOLIÇÃO DOS DÍZIMOS - Hebreus 7.5: “E os que dentre os filhos de Levi receberam o sacerdócio tem ordem, segundo a lei, de tomar os dízimos do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão”.
Neste versículo, a palavra afirma que os sacerdotes Levitas recebiam os dízimos por ordem da lei de Moisés.
Hebreus 7.11 – “De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio Levítico, (porque sob ele o povo recebeu a lei), que necessidade se havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque (referindo-se a Jesus Cristo) e não fosse chamado segundo a ordem de Arão”? (referindo-se a Moisés, o qual introduziu a lei ao povo).
Hebreus 7.12 – “Porque mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança na lei”.
Meditando no texto acima, especificamente nestes versículos, onde a palavra do Senhor diz: “Que os sacerdotes Levíticos recebiam os dízimos segundo a lei” (Hebreus 7.5), “Porque através deles (sacerdotes Levíticos) o povo recebeu a lei” (Hebreus 7.11) e mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também, mudança na lei (Hebreus 7.12), a palavra não deixa qualquer sombra de dúvida, que não só o dízimo, mas toda a lei de Moisés foi por Cristo abolida. Mudou o Sacerdócio, necessariamente, mudou também a lei.
AQUI TOMAM DÍZIMOS HOMENS QUE MORREM - A nossa maior preocupação em relação aos pregadores que tomam o dízimo do povo, vem incidir sobre o versículo 8 deste Capítulo, observem o porquê:
Hebreus 7.8 - E aqui certamente tomam dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de quem se testifica que vive.
Toda cautela no que diz a palavra: Aqui tomam dízimos homens que morrem, ali aquele que se testifica que vive (alusão ao Rei Melquisedeque).
No Evangelho de Mateus 22.32, disse Jesus que Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos. O Senhor Jesus Cristo disse que Deus, é Deus dos vivos e não é Deus dos mortos, e a palavra diz que aqui tomam dízimos homens que morrem, no que está legitimado no Evangelho de João 11.26, onde disse Jesus: “Todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá”. Essa afirmativa do Senhor é mais uma evidência que nos faz entender, que os que tomam o dízimo não crêem em Jesus, porque a palavra está dizendo que morrerão os que assim procedem, tomando o dízimo do povo voltam a viver as ordenanças da lei de Moisés que fora por Cristo abolida.
Diante da Palavra de Deus, até onde recebemos entendimento, dar e receber dízimo é obra morta, ou seja, obra da justiça da Lei do Velho Testamento.
Crer e viver por essa prática é estar sem a graça de Deus, pois assim explica a Bíblia. Estar sem a graça de Deus, é estar morto.
Certamente que, sem Cristo e, cumprindo e se justificando pela lei, qualquer homem ainda não tem a vida eterna, tanto o que dá e, também, o que recebe o dízimo
CONSIDERAÇÕES FINAIS - No Evangelho de Cristo não há ordenança para se tomar o dízimo, ou para se cumprir qualquer outro rito da lei. Jesus nos deu um Novo Mandamento, mandou pregar o seu Evangelho, ordenou amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, isto é, com caridade, e não estipulou percentual ou limite para isso. Em Mateus 10.42 o Senhor mandou dar pelo menos um copo de água fria; para o mancebo rico Ele mandou vender tudo e dar aos pobres (Mateus 19.21); e quando Zaqueu lhe disse que daria ate a metade de seus bens aos pobres, “Ele” não confirmou a necessidade desse procedimento (Lucas 19.8, 9). Disse apenas: “Zaqueu, hoje veio salvação a esta casa.
Muitos saem em defesa do dízimo dizendo: “Mas o Dízimo é bíblico” (Número 18.21 a 26). Certamente, como também é bíblico: a circuncisão (Gênesis 17.23 a 27), o sacrifício de animais em holocausto (Levíticos Capítulos do 1 até 6.8 a 13), a santificação do sábado (Levíticos 23.3), o apedrejar adúlteros (Levíticos 20.10 e Deuteronômio 22.22), etc. Tudo por ordem da lei de Deus que Moisés introduziu ao povo.
Então porque hoje, não cumprem a lei na íntegra, ao invés de optarem exclusivamente pelo dízimo? Querem o dízimo porque é a garantia de renda líquida e certa todos os meses nos cofres das igrejas.
O que também é bíblico, e o homem ainda não se conscientizou, é a grande divisão existente no tempo separando a Velha Aliança do Novo Mandamento do Senhor Jesus; o qual testifica a doutrina para salvação (I Coríntios 15.1, 2). Porém, hoje qualquer esforço para voltar a lei de Moisés que Cristo desfez na cruz, é anular o sacrifício do cordeiro de Deus e reconstruir o muro por “Ele” derrubado (Efésios 2.13 a 15).
Apocalipse 5.9 - “...Porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de todas as tribos, e línguas, e povos, e nações”.
Portanto irmãos, o preço pela nossa salvação, o Senhor Jesus Cristo já pagou dando o seu sangue inocente na Cruz. O Senhor ainda alerta: “Fostes comprados por bom preço, não vos façais servos de homens” (I Coríntios 7.23).
O dízimo hoje é remanescente por razões óbvias. Primeiramente, pela contribuição dos que arcam com esta pesada carga tributária, na maioria das vezes pela ausência de entendimento espiritual da palavra de Deus, não diferenciando a lei de Moisés feita de ordenanças simbólicas e rituais, com a Graça do Senhor Jesus Cristo, o qual veio justamente para nos libertar do jugo da Lei.
Outra presunção é por parte dos que se beneficiam pelos dízimos, esses incorrem no erro ou por não terem competência e discernimento espiritual para entender que Cristo desfez a lei Mosaica na cruz, ou mesmo consciente da abolição dessa prática, assumem o risco dolosamente pela desobediência à palavra do Senhor.
Porem, seja por uma ou por outra razão, o homem querendo ou não, aceitando ou não, o dízimo, como toda a lei cerimonial do Antigo Testamento, Cristo aboliu, com o seu próprio sangue na cruz do Calvário: (Lucas 16.16, Romanos 10.4, Efésios 2.15, II Coríntios 3.14, Hebreus 7.12,18, 19).
Gálatas 5.14 - Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amaras ao teu próximo com a ti mesmo.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Bençao Associadas ao Batismo em Água

O Batismo em Água é um dos canais prescritos para recebermos as bênçãos divinas. É claro que isto depende de muitas coisas, as quais verificaremos abaixo. Assim falamos, isso porque o batismo em água é uma ordenança de Cristo (bem como também a Santa Ceia), à sua Igreja, logo, não é uma ordem "vazia", "sem valor", todavia, é um dos sinais simbólicos que evidenciam a nossa posição em Cristo Jesus. Uma das bênçãos associadas ao batismo em água, é principalmente o «Dom do Espírito Santo», isto é, o «falar em outras línguas». Por exemplo, por ocasião do batismo de Nosso Senhor Jesus, foram unidos «o batismo em água» com «o batismo no Espírito Santo». Vê-se que Jesus somente foi ungido com Espírito Santo, depois de ter sido batizado em água. Nisto se constitui com um dos padrões das bênçãos batismais no N.T.. O dom do Espírito Santo está intimamente associado com o batismo em água. Ao julgar pelos exemplos bíblicos, o dom do Espírito Santo era dado ao convertido, após o batismo em água: «Arrependei-vos, e cada de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo» (At 2.38). O que se vê aqui, é que o «arrependimento», «o perdão dos pecados» e «o batismo em água», são uma das condições prévias para o recebimento do dom do Espírito Santo. O dom do Espírito Santo no batismo confirma a Presença de Jesus Cristo no convertido. A incorporação no Corpo de Jesus Cristo é efetuada pelo batismo espiritual, simbolizada pelo batismo em água, e confirmada e selada pelo dom do Espírito Santo. Nisso, o falar em línguas, é a comprovação externa, do recebimento do dom do Espírito Santo (Atos 19.6). Veja bem, estamos falando do «Dom» do Espírito Santo, o falar em línguas, conforme é salientado por Paulo no capítulo 12 de 1 Coríntio, e não propriamente do Espírito Santo, o qual a pessoa recebe no ato da conversão. Mas em tudo isso, vale ressaltar de que embora o N.T. até certo ponto padronize o dom do Espírito Santo, com a prática do batismo em água, todavia, Deus opera como quer, essa é a verdade. Portanto, a regra neotestamentária, neste caso, pode ser alterada, se Deus assim o quiser.

No caso de Paulo e de Cornélio (seus parentes e amigos mais íntimos), o Dom do Espírito Santo precedeu o batismo em água (At 9.17,18; 10.44-48). Todavia, isto não muda o padrão divino (mas, é bom não esquecermos, que Jesus Cristo, operar como quer) para o recebimento do dom do Espírito Santo, pois nestes dois casos, existem sólidas razões que explicam, por que isto se sucedeu.

No caso de Paulo, o batismo do Espírito Santo precedeu o batismo em água, porque a conversão de Paulo fora totalmente real, genuína, inquestionável, pois ele tinha tido um encontro maravilhoso com Jesus (At 9.5). Como sinal de sua conversão, vemos Paulo submetendo-se à vontade de Jesus, «que queres que faça»? (vs.6), «jejuando» (v.9), «orando» (vs.11), «tendo visão» (vs.12), «era um vaso escolhido por Jesus» (vs.15), e finalmente foi chamado de «irmão» por Ananias (vs.17), sendo assim, o recebimento do Espírito Santo, confirmou a Ananias, tudo àquilo que Jesus havia lhe falado. Não podemos nos esquecer de que Paulo era um terrível perseguidor da Igreja de Cristo, pois o próprio Ananias havia relutado com Jesus a respeito da conversão do apóstolo (vss. 13 e14). Assim, ao ser «cheio do Espírito Santo», foi a confirmação cabal da sua conversão, que já havia ocorrido três dias antes. Depois da restauração da vista, Paulo foi cheio do Espírito Santo e batizado em água (vss. 17,18). Ainda que Lucas não diga especificamente que Paulo «falou em outras línguas» quando foi cheio do Espírito Santo, porém, é justo admitir que sim (1 Cor 14.18).

No caso de Cornélio; como até então nenhum gentio havia se convertido a Cristo, pois os judeus consideravam que a salvação era dada somente a eles. Evidentemente, Pedro e os demais judeus (que estavam com ele na casa de Cornélio) precisavam de um sinal convincente, que pudessem testificar de que a salvação também fora estendida aos gentios, para que assim fizessem o batismo. Pedro e os demais judeus que o acompanhavam, precisavam de um sinal que aquietasse as suas dúvidas e que confirmasse a salvação de Cornélio e os seus amigos, para daí serem batizados. «Ainda Pedro falava estas cousas quando caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a Palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro, admiraram-se, porque também sobre os gentios foi derramado o Dom do Espírito Santo; pois os ouvia falando em línguas e engrandecendo a Deus. Então perguntou Pedro: Porventura pode alguém recusar a água, para que não sejam batizados? E ordenou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo» (Atos 10.44-48a). Portanto, era preciso que Cornélio e os da sua casa fossem batizados no Espírito Santo, antes de serem batizados em água, pelos motivos já vistos, senão Pedro não ordenaria para que fossem batizados em água.

O dom do Espírito Santo é ligado ao Batismo em Água em João 3.5 (?); Atos 2.38; 9.19,18; 10.47; 2 Co 1.22; Efésios 1.13; Tito 3.5. O Espírito Santo acha-se presente no batismo em água, e é Ele Quem opera as operações simbolizadas e seladas pela água (1 Co 12.13; Tito 3.5), semelhantemente Ele é o mesmo Dom prometido em Atos 2.38. A filiação é também outra bênção principal associada ao batismo.

Muitos nos dias atuais, não crêem que as bênçãos divinas estão associadas ao batismo em água, acham ainda que elas não ocorrem desta maneira; isto é porque desconhecem a profundidade espiritual do batismo em água. Sabe-se que realmente as bênçãos de Jesus acompanhavam à Sua Igreja nos dias do N.T. É verdade que em nossos dias, estas bênçãos não mais ocorrem em associação com o batismo, porém, esta causa pode ser explicada por dois motivos principais e essenciais que faltam no batismo em água, que atualmente é administrado, a saber: 1) Falta de «fé» na importância (por desconhecerem o seu valor) do batismo (Rom 14.23; Cl 2.12; Heb 11.6) e, 2) Porque a fórmula batismal está totalmente incorreta, pois o convertido tem que ser batizado «em nome de Jesus Cristo» e não no nome de uma falsa Trindade, Isto é, no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (At 2.38; 8.16; 10.48; 19.5; 22.16). Evidentemente, nenhuma bênção de Cristo pode estar ligada ao batismo em água, por falta destes dois motivos, resumimos; pois este «não é de maneira alguma um batismo cristão».

Todas as bênçãos da Nova Aliança são frutos da morte e ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Estas bênçãos ou benefícios são alcançados mediante o batismo espiritual, simbolizado pelo batismo em água. Jesus deixou o batismo como um dos canais prescritos para alcançarmos estas bênçãos e o Dom do Espírito Santo é a sua confirmação (Isaías 59.21). É verdade que o batismo não é um rito mágico, as bênçãos somente são desfrutadas com o batismo «verdadeiramente bíblico» e mediante a atividade da «fé obediente» que segue o rito. Isto é manifesto em Romanos, onde Paulo ensina sobre o verdadeiro batismo, isto é, o batismo espiritual 6.1-11. O tópico ali é a obrigação que temos de viver em «santidade prática». Paulo primeiramente afirma que o batismo efetuou (isto é, o batismo espiritual, a realidade, do qual o batismo em água é o símbolo, pois nestas passagens também está incluído o batismo em água) o «uma união com Cristo em Sua morte e ressurreição, de tal modo que, para o convertido, houve realmente morte no tocante ao pecado e uma nova vida de justiça (vs.4)». A seguir Paulo explica como deve ser desfrutadas experimentalmente esta morte e esta vida: O crente em Jesus Cristo deve considerar-se «diariamente morto e vivo», isto é, pela atividade de uma fé obediente e preciosa (v. 11; Atos 5.1-10; 8.13,18-24). O batismo em água ratifica o nosso compromisso de lealdade e submissão a Cristo Jesus, para uma vida de santidade. Por outro lado, o batismo expressa simbolicamente a Obra Redentora de Cristo, de modo que ele aponta de volta a este Glorioso Sacrifício e ao mesmo tempo para frente, para uma vida de obediência, caracterizada «pela fé». Portanto, as bênçãos não operam automaticamente no batismo, mas sim, de acordo com tudo aquilo que falamos acima. Agora, é bem salientado que o batismo em água, sem o batismo espiritual (ver sobre o Batismo Espiritual), de nada adianta. A nossa verdadeira união com Cristo, somente acontece pelo «batismo espiritual», e não especificamente pelo batismo em água, pois este é somente o símbolo daquele, que é a realidade espiritual. É claro, porém, que o batismo em água tem o seu valor, mas dentro de seu devido lugar. Somente poderá dar ao batismo em água o seu devido valor, somente aquele que nasceu de novo (João 3.3-15), aquele que recebeu o «batismo espiritual» e aquele que reconhece à ordem de Jesus a respeito do batismo. Reiteramos, aquele que recebeu e conhece o batismo espiritual, passa a saber o que representa para ele o batismo em água. NÃO SE ESQUEÇA, de nada adianta alguém ser batizado em água, mas se não desfrutou e nem recebeu o BATISMO ESPIRITUAL. Se alguém não morreu e ressuscitou com Cristo, pelo Batismo Espiritual, para que serve o batismo em água? Resumindo, o batismo em água não salva ninguém, ele é o cumprimento do dever de cada verdadeiro cristão, depois que este vier a experimentar o Batismo Espiritual (Rom 6.3-11). Analise atentamente o que significa «Batismo Espiritual», na página que traz este mesmo título. Lá, o amado irmão verá as profundíssimas realidades espirituais que envolvem o Batismo Espiritual. O Estudo que temos passado a esse respeito, ainda que profundo, no entanto, faltam muitos detalhes, os quais enobrecem a nossa alma. Mas dentro do possível, segundo a sabedoria do Espírito Santo, estaremos transmitindo com alegria as grandes maravilhas que envolvem a nossa união com Cristo, que é o principal tema, onde está alicerçada a nossa salvação. Pedimos a você, querido irmão, que nos ajude em oração, para que assim possamos passar aquilo que o Espírito Santo nos ensinar. Afinal, esta Obra é dEle.

sábado, 6 de novembro de 2010

A Origem e Queda de Satanás

A Origem e Queda de Satanás

Na história do Universo nunca houve – nem haverá – traição maior. A criatura que representava a mais magnificente obra de seu Criador ressentiu-se de que sua glória era apenas emprestada, de que o papel que lhe estava destinado era o de tão somente refletir a infinita majestade do Deus que lhe deu o fôlego da vida. Dessa maneira, nasceu no coração de Lúcifer – e, em última análise, no recém-criado universo moral – o desprezível impulso da rebelião. Esse impulso originou a insurreição angélica que foi a mais terrível sedição na história em todos os tempos.

Uma questão preliminar

Por mais importante e original que tenha sido essa rebelião angélica, as Escrituras não incluem um registro específico do evento. No Antigo Testamento, Satanás aparece pela primeira vez no relato da queda de Adão (Gn 3). Ali, no entanto, ele já era o tentador caído que seduziu os primeiros seres humanos ao pecado. Dessa forma, já no início das Escrituras, a queda de Satanás é tratada como fato. Mas, por razões que não são esclarecidas em nenhum lugar, o próprio relato de sua queda está ausente nesse registro.

Ainda assim, o evento é lembrado duas vezes nos escritos dos profetas: por Isaías, em meio a uma inspirada diatribe contra a Babilônia (Is 14.11-23), e, mais tarde, por Ezequiel, quando ele repreende duramente o rei de Tiro (Ez 28.11-19). Essas duas passagens contam-nos a maior parte do que sabemos sobre a queda de Satanás.

Entretanto, aqui temos algumas dificuldades exegéticas. Em ambas as passagens, a menção da rebelião de Lúcifer aparece abruptamente num contexto que não trata, especificamente, de Satanás. Esse fato levou muitos estudiosos da Bíblia a rejeitar a idéia de que as passagens se referem a uma rebelião luciferiana e a insistir que elas focalizam exclusivamente os governantes humanos das nações pagãs às quais são dirigidas.

Apesar disso, é preferível entender que Isaías e Ezequiel propositalmente queriam levar os leitores para além dos crimes de reis humanos, guiando-os até a percepção do grande arquétipo do mal e da rebelião, o próprio Satanás. Essas passagens incluem descrições que, mesmo levando em conta a inclinação ao exagero por parte de governantes da Antiguidade, não poderiam ser atribuídas a qualquer ser humano. O emprego da primeira pessoa do singular (por exemplo: “Eu subirei...”; “exaltarei o meu trono...”; “me assentarei...”) em Isaías 14.13-14 refletiria um nível de ostentação indicativo de insanidade, caso fosse proferido por um mero ser humano, mesmo em se tratando de um dos monarcas pagãos babilônicos, que a si mesmos divinizavam. E qual rei de Tiro poderia ser descrito como “cheio de sabedoria e formosura... Perfeito... nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado...” (Ez 28.12,15)?

Além disso, a Bíblia ensina explicitamente que a perversidade do mundo visível é influenciada e animada por um domínio povoado por espíritos caídos, invisíveis (Dn 10.12-13; Ef 6.12), e que, em sua campanha traiçoeira e condenável de frustrar os propósitos do Deus verdadeiro, esses espíritos maus são dirigidos por Satanás, o “deus deste século” (2 Co 4.4).

Nos tempos primitivos da Terra após a queda, os rebeldes de Babel estavam determinados a construir “uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus” (Gn 11.4).

É característico dos escritores bíblicos fazer a conexão entre o mundo visível e o invisível, e isso de forma tão abrupta que pega o leitor momentaneamente desprevenido. Quando Pedro expressou seu horror ante o pensamento da morte de Jesus, o Senhor lhe respondeu “Arreda, Satanás!” (Mt 16.23; cf. 4.8-10). De forma semelhante, repentinamente e sem aviso, o profeta Daniel pula de uma descrição profética sobre Antíoco Epifânio (Dn 11.3-35) para uma descrição similar do Anticristo dos tempos do fim (Dn 11.36-45). Antíoco, governante selêucida no período intertestamentário, precede o vilão maior que conturbará a terra nos últimos dias. Um salto abrupto e não-anunciado do mundo político ganancioso, auto-engrandecedor, visível, para o drama arquetípico que se desenrola num mundo invisível aos seres humanos – mas que, apesar de não ser visto, deu origem às atitudes denunciadas nessas passagens –, tal salto não está fora de lugar nas Escrituras.

Finalmente, por trás das conexões feitas nessas duas passagens pode muito bem estar um tema que freqüentemente retorna nas Escrituras. Nos tempos primitivos da Terra após a queda, os rebeldes de Babel estavam determinados a construir “uma cidade e uma torre” (Gn 11.4). A cidade era um centro de atividade comercial, enquanto a torre representava o ponto focal do culto pagão. Essa dupla caracterização do cosmo como expressão de egoísmo (o espírito ganancioso do comercialismo não-santificado) e de rebelião (a busca por ídolos) ressoa ao longo de toda a Palavra de Deus, chegando a um clímax em Apocalipse 17-18, onde anjos que se mantiveram fiéis a Deus anunciam a tão esperada e muito merecida destruição da Babilônia religiosa e comercial.

É instrutivo notar que enquanto todo o trecho de Ezequiel 26-28 repreende severamente a Tiro – o mais importante centro de comércio e de riqueza nos dias desse profeta – Isaías 14 denuncia Babilônia, que representa o centro da falsa religião ao longo de toda a Escritura. Talvez essa caracterização do cosmo caído como “cidade e torre” – tão importante naquilo que a Escritura afirma em relação ao mundo em rebelião contra Deus – ajude a explicar o salto dado pelos profetas nas passagens que consideramos. Quando contemplavam a cultura de seu tempo, que incorporava perfeitamente um elemento do cosmo caído, cada um deles se sentiu compelido pelo Espírito superintendente de Deus a focalizar a rebelião angélica dos tempos primitivos, a qual animava a rebelião humana que estavam denunciando.

Dessa forma, essas duas críticas severas, que identificam os espíritos perversos de cobiça inescrupulosa e rebelião espiritual, ajudam a explicar por que tais espíritos predominam tantas vezes ao longo da história humana. Os textos referidos, ao mesmo tempo, também antecipam a destruição profeticamente narrada em Apocalipse 17 e 18.

A linhagem de Satanás

De Isaías 14 e Ezequiel 28 emerge um quadro relativamente extenso de Satanás antes de sua rebelião.

Lúcifer: essa palavra vem de uma raiz hebraica que significa “brilhar”, sendo usada unicamente como título para referir-se à estrela de maior brilho e cujo resplendor mais resiste ao nascimento do Sol.

Sua pessoa: Ele foi o ser mais exaltado de toda a criação (Ez 28.13,15), a mais grandiosa das obras de Deus, um ser celestial radiante, que refletia da maneira mais perfeita o esplendor de seu Criador. Assim, ele apropriadamente era chamado de Lúcifer. Essa palavra vem de uma raiz hebraica que significa “brilhar”, sendo usada unicamente como título para referir-se à estrela de maior brilho e cujo resplendor mais resiste ao nascimento do Sol. O nome Lúcifer tornou-se amplamente usado como título para Satanás antes de sua rebelião porque é o equivalente latino dessa palavra. Na realidade, é difícil saber com certeza se o termo foi empregado com o sentido de nome próprio ou de expressão descritiva.

Seu lugar: Ezequiel afirmou que esse anjo exaltado estava “no Éden, jardim de Deus” (Ez 28.13). Aqui, a referência não é ao Éden terreno que Satanás invadiu para tentar a humanidade, mas à sala do trono em que Deus habita em absoluta majestade e perfeita pureza (veja Is 6; Ez 1). Ezequiel 28 também chama esse lugar de “monte santo de Deus”, onde Lúcifer andava “no brilho das pedras” (v. 14). Essas descrições não são apropriadas ao Éden terreno, mas adequadas à sala do trono de Deus, conforme representações em outros lugares da Escritura.

Sua posição: Satanás é denominado “querubim da guarda ungido” (Ez 28.14). Querubins representam a mais alta graduação da autoridade angélica, sendo seu papel guardar simbolicamente o trono de Deus (compare os querubins esculpidos flanqueando a arca da aliança – o trono de Javé – no Tabernáculo ou Templo, Êx 25.18-22; Hb 9.5; cf. Gn 3.24; Ez 10.1-22). Lúcifer foi ungido (consagrado) por sentença deliberada de Deus (Ez 28.14: “te estabeleci”) para a tarefa indizivelmente santa de guardar o trono do todo-glorioso Criador. Ele é descrito como sendo dotado de beleza inigualável, vestido de luz radiante, equipado com sabedoria e capacidade ilimitadas, mas também criado com o poder de tomar decisões morais reais. Portanto, a obrigação moral mais básica de Satanás era a de permanecer leal a Deus, de lembrar sempre que, independentemente de quão elevada fosse a sua posição, seu estado era o de um ser criado.

A queda de Satanás

Neste ponto, encontramo-nos diante de um dos mais profundos mistérios do universo moral, conforme revelado nas Escrituras: “Como é que o pecado entrou no universo?” Está claro que a entrada do pecado tem conexão com a rebelião de Satanás. Mas, como foi que o impulso perverso surgiu no coração de alguém criado por um Deus perfeitamente santo? Diante de tal enigma, temos de reconhecer que as coisas encobertas de fato pertencem a Deus; as reveladas, no entanto, pertencem a nós (Dt 29.29). E três dessas realidades claramente reveladas merecem ser enfatizadas:

Primeiro: a queda de Lúcifer foi resultado de sua insondável e pervertida determinação de usurpar a glória que pertence unicamente a Deus. Esse fato é explicitado em uma série de cinco afirmações que empregam verbos na primeira pessoa do singular, conforme registradas em Isaías 14.13-14. Nisto consiste a essência do pecado: o desejo e a determinação de viver como se a criatura fosse mais importante que o Criador.

Lúcifer andava “no brilho das pedras” (Ez 28.14). Essa descrição refere-se à sala do trono de Deus, conforme representações em outros lugares da Escritura.

Segundo: Satanás é inteira e exclusivamente responsável por sua escolha perversa. Nisso existe uma dimensão inescrutável. Alguns têm argumentado que Deus deve ter Sua parcela de responsabilidade por este (e todo outro) crime, porque, caso fosse de Seu desejo, poderia ter criado um mundo em que tal rebelião fosse impossível. Outros dizem que, se Deus tivesse criado um mundo em que apenas se pudesse fazer o que o seu Criador quisesse, nele não poderiam ser incluídos agentes morais feitos à imagem de Deus, dotados da capacidade de tomar decisões reais – e, conseqüentemente, de escolher adorar e amar a Deus. Há verdade nessa observação, mas também há mistério. O relato deixa claro que o orgulho fez com que Lúcifer caísse numa terrível armadilha (Is 14.13-14; Ez 28.17; cf. 1 Tm 3.6), mas nada explica como tal orgulho de perdição pode surgir no coração de uma criatura de Deus não caída e perfeita.

No entanto, não há mistério quanto ao fato de que Satanás é, totalmente e com justiça, responsável pelo seu crime. Ezequiel 28.15 afirma explicitamente que Lúcifer era perfeito desde o dia em que foi criado, “até que se achou iniqüidade em ti”. A culpabilidade moral é dele, e apenas dele. Na verdade, em toda sua extensão, a Bíblia afirma que Deus governa soberanamente o universo moral e controla todas as coisas – inclusive a maldade de homens e anjos – para que correspondam aos seus perfeitos propósitos. Mas ela também ensina que Deus não deve e não será responsabilizado por essa maldade, em qualquer sentido.

Finalmente, por causa de sua rebelião, Satanás tornou-se o arquiinimigo de Deus e de tudo o que é divino. Sua queda – bem como a dos espíritos que se uniram a ele – é irreversível; não há esperança de redenção. Satanás foi privado da comunhão com o Deus santo de forma final e irrecuperável. Para ser exato, Satanás ainda tem acesso à sala judicial do trono do Universo por causa de seu papel de acusador dos irmãos, papel este que lhe foi designado divinamente (Jó 1 e 2; Zc 3; Lc 22.31; Ap 12.10). Tal acesso, no entanto, é destituído da comunhão com Deus ou da Sua aceitação. Devido à sua traição, que foi a mais terrível na história do cosmo, Satanás e seus anjos somente podem esperar a condenação e a punição eternas (Mt 25.41). (Douglas Bookman - Israel My Glory - http://www.chamada.com.br)

Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, setembro de 2002.

sábado, 14 de agosto de 2010

OS FALSOS PROFETAS

GALERIA DOS FALSOS PROFETAS

O Papa - Catolicismo Romano
Ellen G. White - A profeta da Igreja Adventista do Sétimo Dia
Cesar Castellanos - O Profeta do Movimento do G12
Joseph Smith - O profeta da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias
Charles T. Russell - O profeta das Testemunhas de Jeová
John S. Scheppe - O profeta do Movimento Só Jesus
Witness Lee - Igreja Local
Kip McKean & Elena Mckean - Os profetas da Igreja de Boston
Frank Shermann Land - O profeta da Ordem De Molay
William Marrion Branham - O profeta do Tabernáculo da Fé
Allan Kardec - O profeta do Espiritismo Moderno
David Brandt Berg - O profeta dos Meninos de Deus ou Familiar do Amor
Anton La Vey - O profeta da Igreja de Satanás
Christian Rosenkreuz - O profeta do Rosa Cruz
Harvey Spencer Lewis - O profeta da AMORC
Helena P. Blavatsky & Annie Besant - As profetas da Teosofia
Mary Baker - A profeta da Ciência Cristã
Masaharu Tanigushi - O profeta da Seisho-No–Ie
Toruchira Miki - O profeta da Perfecty Liberty
Mokiti Okada - O Profeta da Igreja Messiânica
Shri Hans Maharaj Ji - O profeta da Missão da Luz Divina
Maharishi Mahesh Yogi - O profeta da Meditação Transcendental
Bhagwam Shree Rajneesh - O profeta do Movimento Bhagwan
Werner Erhard - O profeta do Est
Victor Paul Wierville - O profeta do Caminho Internacional
Herbert W. Armstrong - O profeta da Igreja de Deus em Worldwide
Emanuel Swedenborg - O profeta da Igreja da Nova Jerusalém
Charles Sherlock Fillmore & Myrtle Fillmore - Os profetas da Unidade
Sun Myung Moon - O profeta da Igreja da Unificação
A.C. Bhactivedanta Swami Prabhupada - O profeta dos Hare Krishna
Bahá-Allah - O profeta do Bahaísmo
Abulgasim Mohammad - Maomé - O profeta do Islamismo
Sidarta Gautama - O profeta do Budismo
Confúcio - O profeta do Confucionismo
Raimundo Irineu Serra - O profeta do Santo Daime
Manoel Jacintho Coelho - O Profeta da Cultura Racional
Luiz de Mattos - O profeta do Racionalismo Cristão
Iuri Thais - Inri Cristo - O profeta da Igreja da Suprema Ordem Universal da Santíssima Trindade
Alziro Zarur - O profeta da Legião da Boa Vontade
Eurico Mattos Coutinho & Vó Rosa - Os profetas da Igreja Apostólica
Jasmuheen - A profeta do Viver de Luz
Lafayette Ron Hubbard - O profeta da Cientologia

quinta-feira, 15 de julho de 2010

PRAZER SEXUAL NA BÍBLIA

As colocações abaixo foram elaboradas em resposta às perguntas de um professor ímpio sobre uma suposta origem bíblica de uma possível repressão ao prazer sexual entre os judeus.

Análise bíblica da "repressão ao prazer sexual"

1) Sexo-prazer - mal visto.

Tal suposição não encontra fundamento na bíblia. Nela não se vê nenhuma palavra contra o prazer sexual. Somente se determina que a cópula seja restrita aos cônjuges. Deus criou o seres humanos: macho e fêmea (Gênesis 1.27). Essa distinção já pressupõe a prática sexual. Além disso, Deus ordenou que suas criaturas crescessem e multiplicassem (Gênesis 1.28). Entendemos que o sexo existe para a reprodução. Entretanto, tal compreensão e afirmativa não representam a negação ao prazer. Se não houvesse o desejo e a satisfação encontrada no ato sexual, a perpetuação da espécie humana teria corrido sérios riscos no início da história humana. A reprodução ficaria dependendo de uma consciência de obrigação por parte das pessoas, e o ser humano poderia se extinguir por uma simples questão de esquecimento ou falta de tempo. Para que assim não ocorresse, Deus fez com que o sexo fosse prazeroso. Podemos pensar da mesma forma em relação ao ato da alimentação. Se formos analisar, concluiremos que temos a "obrigação" de ingerir alimentos e beber água freqüentemente. Entretanto, normalmente não pensamos no comer e beber como uma obrigação, mas, quase sempre como um prazer. Para a nossa própria segurança e também para o nosso próprio bem estar, Deus fez com que a alimentação fosse um motivo de prazer para nós.
Alguém pode dizer que o prazer é legítimo, mas que o ato sexual deve ter sempre o objetivo da reprodução. Como dissemos, o ato sexual existe para a reprodução, mas a bíblia nos dá a entender que o mesmo é legítimo e honrado, mesmo que a reprodução não ocorra ou não esteja sendo buscada. Vejamos o que diz o apóstolo Paulo na primeira carta aos coríntios, capítulo 7, versos 4 e 5: "A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher. Não vos defraudeis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás vos não tente pela vossa incontinência." Paulo está dizendo que a prática sexual seria constante na vida do casal e que a abstinência só poderia acontecer por consentimento mútuo e por pouco tempo. Paulo estaria ensinando os casais a terem filhos ininterruptamente? Creio que não. O que está em pauta é a necessidade do prazer sexual e sua legitimidade dentro dos limites do matrimônio.
No Velho Testamento, no livro de Cantares de Salomão, encontram-se várias alusões aos atributos físicos dos cônjuges e ao seu relacionamento amoroso. Suas palavras parecem se relacionar bem com a questão do prazer e não com a sua negação.

2) Esterilidade - maldição.

A idéia da esterilidade como maldição é encontrada nos relatos bíblicos. Quando Deus se revelou a Abraão, o patriarca de Israel, fez-lhe a promessa de uma descendência numerosa, a qual, assim como as estrelas do céu e os grãos de areia da praia, não poderia ser contada. (Gênesis 15.5). Assim, todo israelita se considerava abençoado quando podia ter filhos. Estava, desse modo, sendo alcançado pela bênção de Deus prometida a Abraão. A esterilidade era então vista como maldição, por ser contrária à benção. Os homens valorizavam muito o fato de deixarem herdeiros. Por isso, as mulheres estéreis eram, em muitos casos, desprezadas. Seus maridos logo se uniam a outra mulher para com ela ter filhos. Evidentemente, quando o homem amava uma mulher, ele não a rejeitava por causa da esterilidade, mas, de qualquer forma, ela se sentia a pior das criaturas. (Gênesis 16.1-6 Gênesis 30.1-26 I Samuel 1.1-20 II Samuel 6.16-23 Salmo 127.3-5).
Pela bíblia, entendemos que Deus escolheu a nação de Israel para que, através dela, Cristo viesse ao mundo. Para que isso acontecesse, esse povo precisava se multiplicar. A esterilidade surgia então como um estorvo ao propósito divino.
Apesar de tudo isso, a bíblia nos mostra o amor divino pelas mulheres estéreis. Ainda que os homens as rejeitassem, Deus não as rejeitava. Nos textos mencionados vemos, inclusive, casos em que Deus ouviu a súplica de mulheres estéreis e lhes curou a esterilidade. (Salmo 113.9).
No Novo Testamento, temos uma referência atípica sobre as mulheres estéreis. Jesus fala de um tempo de angústia tão grande, que as mulheres estéreis estariam felizes por não terem filhos para o sofrimento (Lucas 23.28-30; Mateus 24.19).


3) Adultério (feminino) - punição com apedrejamento público.

Não existe adultério feminimo. O adultério é um ato que envolve um homem e uma mulher. (A não ser que se trate de uma mistura de adultério com lesbianismo). A lei de Moisés determinava pena de morte para os adúlteros, homem e mulher. (Êxodo 20.14; Levíticos 18.20; Levítico 20.10; Deuteronômio 22.22). No evangelho de João temos o relato a respeito de uma mulher adúltera, que foi trazida pelos fariseus perante Jesus, para que ele dissesse se deveriam apedrejá-la ou não. Vemos nesse episódio uma tentativa de se cumprir parcialmente a lei. Onde estava o homem que adulterara com aquela mulher? O texto nos diz que houve flagrante. Logo, não trouxeram o homem porque não quiseram.
A proibição do adultério nada tem a ver com repressão ao prazer sexual. A bíblia ensina o valor da família. Se não houvesse nenhuma restrição ao adultério e à prostituição, então a família cairia em extinção. As conseqüências poderiam ser: filhos sem um lar, sem uma estrutura familiar tão necessária à formação da personalidade. Os idosos desamparados ou isolados, já que suas vidas foram totalmente fragmentadas por aventuras sexuais sem regras e sem compromissos. Por essa causa, seria difícil a existência de laços e responsabilidades. E não é o que temos visto muitas vezes? Tudo isso tem acontecido em escala cada vez maior devido ao desprezo pelos princípios bíblicos. (Provérbios 2.16; Provérbios 5.8; Jeremias 23.10; O Novo Testamento não nos manda apedrejar os adúlteros, mas continua ensinando que o adultério é pecado, é um atentado contra a família e contra a sociedade. (Mateus 5.27-28; Mateus 12.39; Romanos 7.1-3; I Coríntios 6.9; Hebreus 13.4; Tiago 4.4). A palavra de Deus aos adúlteros é que se arrependam, se convertam aos ensinos de Cristo e sejam fiéis aos seus conjuges. Tudo está resumido no que Jesus disse àquela mulher adúltera: "Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? (E ela disse: ninguém, Senhor). Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais." (João 8.10-11).

4) Menstruação - impureza que necessitava de rituais de purificação.

O texto de Levítico 15, menciona o fluxo feminino (menstruação) e o fluxo masculino (polução) como imundícies. Tal afirmação nada tem a ver com repressão ao prazer sexual. Esses ensinamentos estavam entre outros tantos que determinavam atos de higiene para o povo de Israel. Podemos dizer que eram desnecessários? De modo nenhum, principalmente naquele tempo, aproximadamente 1.200 a.C., quando não havia água canalizada, nem absorventes, nem hospitais, nem os remédios e tratamentos de saúde da atualidade. Por isso, Deus ditou várias regras rígidas de higiene, afim de que não houvessem epidemias no meio do povo.


5) Novo Testamento: não faz referências claras à sexualidade. Apenas mostra a tolerância com a mulher adúltera.

Existem poucos textos relacionados à sexualidade no Novo Testamento. Entretanto, isso não pode ser usado para dizer que a bíblia condena o prazer sexual. O Novo Testamento não fala muito sobre sexo, simplesmente porque este não é o seu tema. O Novo Testamento tem como objetivo instruir as pessoas com vistas à salvação de suas almas. Se formos analisar profundamente, a salvação estará relacionada a todas as áreas da vida humana. Então, os escritores neo-testamentários acabam tocando em questões sexuais, principalmente para alertar contra a prostituição, o adultério e o homossexualismo, e não para condenar o prazer sexual em si. Quanto à tolerância com a mulher adúltera, podemos dizer: Deus demonstra tolerância com todas as pessoas, mas isso não significa que ele aprova o pecado. Deus ama o pecador (João 3.16), mas abomina o pecado. O que ele deseja é que todos se arrependam e se convertam. Nosso tempo de vida é nosso tempo de oportunidade. Os que não se arrependerem serão condenados por Deus. (Romanos 1.18-32; I Coríntios 5.1-5; I Coríntios 6.15-20; Gálatas 5.19-21; Efésios 5.5; Efésios 6.28-31; Colossenses 3.5; I Tessalonicenses 4.3-7; I Timóteo 4.12; Apocalipse 2.20-22).

Pr. Anísio Renato de Andrade
Bacharel em teologia

sábado, 3 de julho de 2010

Ministério Internacional Creciendo em Gracias

Ministério Internacional Creciendo em Gracias - UM OUTRO EVANGELHO!

Publicado em 10/24/2006

Paulo Cristiano, do CACP
Revista Defesa da Fé, nº 72

"Vocês são todos abençoados", diz o líder, ao abrir a reunião. Em seguida, em meio a aplausos e murmúrios de frases nada convencionais, ordena que as pessoas digam que "esteja ativada a mente de Cristo". Apesar de certas frases e a liturgia serem semelhantes à de algumas igrejas evangélicas, todavia, estamos diante de um dos grupos pseudocrístãos mais perigosos que têm surgido nos últimos tempos: o Ministério Creciendo em Gracias (Crescendo em Graça), o qual, daqui por diante, chamaremos de MCG.

O MCG se mostra um movimento muito fértil em produzir heresias. Tais desvios doutrinários, por vezes, vêm camuflados com nomes atrativos, como, por exemplo, "cápsulas de graça", que segundo eles, nada mais são do que "o resumo de um fundamento da doutrina da graça que contém a posição tradicional e desviada dos religiosos...".

Neste artigo, pretendemos expor os ensinos pregados por esse movimento para que o povo de Deus, não sejam levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente" (Ef 4:14)

Toda a nossa pesquisa está baseada no site oficial do MCG.


ORIGEM DO MOVIMENTO

Seu idealizador foi o porto-riquenho José Luiz de Jesus Miranda, mais conhecido como "o apóstolo", fundador e líder do MCG. Não nos deteremos em refutar todas as heresias concernentes à sua pessoa, mas somente as heresias que consideramos de maior importância para a manutenção da ortodoxia doutrinária.

A sede mundial do MCG fica em Miami, Flórida, EUA. Fundado por volta de 1986, o movimento chegou ao Brasil dez anos atrás, aproximadamente.(1) Atualmente, a central do movimento por aqui fica em Guadalupe, bairro do Rio de Janeiro, RJ. O MCG alega que está presente em todo o continente americano e na Austrália, perfazendo um total de 24 países. No Brasil, estão fixados em nove Estados, sendo que em São Paulo possui seis igrejas, as quais denominam "centros educativos". Mantêm ainda vários programas de rádio e TV.


UM MOVIMENTO EXCÊNTRICO

Problemas com a hermenêutica

Pesquisando o MCG por meio de seus sermões, testemunhos e credos, fica fácil traçar o perfil doutrinário e a tendência psicológica do grupo. São pessoas que vivem sob a tutela de "revelações". O próprio fundador alega ter recebido sua doutrina diretamente de Jesus: "A fé é uma ciência, olhe, essa ciência ninguém nesta terra conhece [...] nem eu a conhecia. O Senhor me comunicou, pessoalmente...". O MCG usa e abusa de textos bíblicos de maneira inescrupulosa a ponto de truncar determinados versículos a fim de sustentar seus pontos de vista heréticos. Veremos isso nas distorções apresentadas mais adiante.


Problemas com a semântica

Fazem uso de uma semântica enganosa, pois, ao mesmo tempo em que exprimem suas doutrinas usando termos tipicamente cristãos, atribuem, contudo, significados totalmente diferentes, reinterpretando os termos bíblicos. Um exemplo disso é o que eles entendem pela palavra cristão: "... Ser cristão não é receber a Cristo como Salvador ou crer nele, mas, sim, receber e aceitar os ensinos que o apóstolo Paulo deixou como fundamento, e que agora o apóstolo José Luiz de Jesus explica para a edificação do Corpo de Cristo".



SEMELHANÇAS DO MCG COM AS DEMAIS SEITAS

Unicismo

Não acreditam na Trindade. São modalistas. Para eles, Deus é uma só pessoa que se manifestou de três maneiras diferentes (também chamado de sabelianismo). Dizem: "Cremos que Deus é um, e um é o seu nome. O trinitarismo é uma falsa doutrina que pretende separar a pessoa de Jesus Cristo de Deus Pai como dois seres em separado. O unitarismo ensina que é só Jesus. Ao contrário, nós ensinamos que Jesus é também o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Três manifestações, porém, um só Deus", semelhante ao que crêem os grupos Tabernáculo da Fé, Voz da Verdade e Igreja Local.


Aniquilacionismo

De forma idêntica às testemunhasde-jeová e aos adventistas do sétimo dia, são aniquilacionistas. Não crêem no inferno de fogo e chegam a afirmar: "Com respeito ao evangelho, quer dizer, às quatorze cartas que Paulo escreveu depois da cruz, nunca mencionou a palavra inferno, isto se deve ao fato de que o inferno não existe".


Reencarnacionismo

Também acreditam na possibilidade da reencarnação: "Veja bem, a reencarnação é um recurso usado por Deus do jeito que Ele quer. Não é uma forma automática na vida do crente. É totalmente regulada por Deus".


Preexistência dos espíritos

Semelhante à crença mórmon, acreditam na preexistência dos espíritos. Na verdade, acreditam que os anjos são nada mais que espíritos sem corpos e os seres humanos, anjos com corpos. Referindo-se aos adeptos do grupo, dizem: "Os membros desta família sabem que existiam em condição de anjos antes da fundação do mundo".


Adão como Satanás

Para eles, Adão foi Satanás encarnado. Ao morrer na cruz, Jesus aniquilou o pecado de Adão que seria a obra do diabo; ou seja, o diabo e o pecado não existem mais, foram aniquilados. "Deus depositou no primeiro homem o espírito de Satanás; ou seja, Adão era Satanás...".


Deificação do homem

Assim como os localistas e os novaerenses, também acreditam que são deuses: "Você é um espírito criado por Deus à sua imagem e semelhança, porque Deus teve filhos, e Deus os chamou de deuses. Diga: SOMOS DEUSES...".


PECULIARIDADES DOUTRINARIAS DO MCG:

· Afirmam que existem dois evangelhos: um falso (o da circuncisão), pregado por Pedro e os demais apóstolos, e outro verdadeiro (o da incircuncisão), pregado por Paulo e agora por José Luiz de Jesus;

· Fazem diferença entre Jesus de Nazaré e Jesus Cristo. Dizem: "É por isso que Paulo ensinava a servir àquele que ressuscitou e não a Jesus de Nazaré, que foi o corpo de Cristo (Rm 7.4). Em outras palavras, servir a Jesus Cristo ressuscitado é colocar-se depois da cruz e imitar a Jesus de Nazaré é colocar-se antes da cruz". E mais: "O evangelho diz que, para darmos fruto para Deus, devemos ser do ressuscitado. Se você é de Jesus de Nazaré dá fruto, porém, para os homens, porque a doutrina que Jesus de Nazaré produz fé fingida".

· Tentam fazer uma antítese entre o evangelho pregado por Paulo e o evangelho pregado pelos demais apóstolos, principalmente Pedro e João. Referindo-se a Pedro, afirmam: "Paulo profeticamente disse: 'Com a minha partida, entrarão lobos vorazes que não perdoarão o rebanho' (At 20.29). E mais: "Que antes da vinda do Senhor se manifestaria a apostasia, o iníquo (2Ts 2.4). Quem se opôs ao sacrifício de Jesus (Mt 16.21-23), quem se opôs ao evangelho de Paulo (Gl 2.1-14)? Pedro, o mesmo que deu a mão a Paulo em sinal de companheirismo e que, em seguida, Paulo repreendeu por ser hipócrita (Gl 2.9-14). Foi por isso que Paulo disse que o mistério da iniqüidade já estava em ação (Pedro), mas havia quem o deteria (Paulo), até que fosse tirado do meio (2Ts 2.7)".

· Referindo-se a João, afirmam, no mesmo fôlego: "Quando um crente é iluminado, ele entende que o diabo já não existe mais, que o pecado foi aniquilado, que está morto à lei, que foi Deus quem o escolheu antes da fundação do mundo, que é santo e está sem mancha diante do Senhor. Do contrário, ele chama esta revelação de blasfêmia, heresia. E mais, porque João não foi iluminado por esta palavra, ele chamou Paulo de anticristo, porque Paulo ensinava a não imitar a Jesus de Nazaré, mas a Jesus Cristo, o ressuscitado (Rm 7.4)". Sustentam, ainda, que somente o apóstolo Paulo recebeu a revelação do evangelho da graça.

· Segundo o MCG, as igrejas cristãs foram somente aquelas fundadas a partir do apóstolo Paulo. As demais, ainda na concepção deles, eram todas seitas judaicas, não tendo nada a ver com o evangelho de Cristo.

· Não batizam, não tomam a santa ceia e não incentivam os membros ao arrependimento de pecados, pois entendem que tudo isso deve ser deixado de lado. Para que possam sustentar tal absurdo, argumentam que essas coisas são apenas rudimentos da doutrina de Cristo que ficaram para trás.


NEOMARCIONISMO

Sem dúvida, o senhor José Luiz pretende reviver, com todo o vigor, as antigas heresias marcionitas. É o neomarcionismo redivivo em pleno século XXI.

Marcião foi um presbítero do século 2° que, no esforço de afastar e eliminar do cristianismo todos os elementos judaicos das Escrituras do Novo Testamento, com o objetivo de "desjudaizar" a religião cristã, elaborou uma depuração dos escritos neotestamentários. Rejeitou os evangelhos de Marcos, Mateus e João. Forjou seu próprio cânone com textos selecionados do evangelho de Lucas e das cartas paulinas, muitas delas mutiladas. Para ele, nenhum dos apóstolos havia entendido perfeitamente a doutrina de Jesus, com a exceção de Paulo. Por isso, Paulo, para Marcião, é o apóstolo por excelência, pois recebeu de Jesus, por revelação, o verdadeiro evangelho. Fazia, ainda, distinção entre o deus mau do Antigo Testamento com o deus bom do Novo Testamento.

Esses ensinamentos são hoje apregoados por José Luiz de Jesus, que os confirma com a seguinte declaração: "Você não pode conhecer a Deus na lei. Imagine você. Esse Deus do Antigo Testamento. Deus não é assim. Esse é um lado de Deus. Esse é o lado mau de Deus, porque Deus é bom e Deus é mau".

É interessante que a semelhança entre os dois sistemas é idêntica até mesmo nos pormenores. É sabido que Marcião foi o primeiro a formular um cânon pessoal, enquanto o senhor José Luiz divide arbitrariamente a Palavra de Deus da seguinte forma: Escrituras (escritos do Antigo Testamento), História (os quatro evangelhos e o livro de Atos) e Evangelho (somente as epístolas paulinas, inclusive Hebreus).


RESPONDENDO ALGUMAS HERESIAS DO MCG

Adão e Satanás são a mesma pessoa?

"Como caíste do céu [...] Como foste lançado por terra..." (Is 14.12-16).

Os adeptos do MCG acreditam que este texto aponta para Adão, o qual seria o próprio Satanás. Dizem que a palavra "cortado", em certa tradução, está errada. O certo seria "foste formado".

Resposta apologética

Antes de tecermos quaisquer comentários sobre isso, é bom lembrar que a Bíblia sempre compara Satanás com a antiga serpente, o dragão, o leão (2Co 11.3,14; Ap 12.9; 20.2), mas nunca com Adão. A serpente é a mesma que tentou Adão e Eva (Gn 3). Portanto, a gênese da queda envolveu três personagens: Adão, Eva e a serpente, influenciada por Satanás. Outro fato que deve ser considerado é que o capítulo inteiro é uma continuação da profecia contra o império da Babilônia (Is 13.1; 14.4). Quem caiu foi o rei da Babilônia (Is 14.8), monarca que debilitava as nações (Is 14.12) e era soberbo (Is 13.19). A história nos relata que os reis babilônicos tinham todas essas características de grandeza (Dn 4.22); mas, por fim,foram abatidos (Cf. Is 14.23 com Is 47.10). O "homem" do qual fala o verso 16 não pode ser Adão, porque, em sua época, não havia reinos ou nações. Adão não tinha cidades e muito menos fazia pessoas cativas (v.17). Mas isso se encaixa perfeitamente com o rei da Babilônia, usado no texto como figura de Satanás.


Pedro foi inimigo de Paulo?

"... Mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo" (Gl 1.6-8).

Declaram que este texto refere-se aos apóstolos, principalmente Pedro, que queriam perverter o evangelho de Paulo.

Resposta apologética

Certamente, o apóstolo Paulo está se referindo à repreensão dada a Pedro em Gálatas 2.11. Mas daí construir uma aversão entre o evangelho de Paulo e o evangelho de Pedro é ser desonesto com o contexto bíblico, até porque este incidente foi tão irrelevante que Lucas não o menciona em seu livro: Atos dos Apóstolos. Havia, na igreja, muitos da circuncisão (At 10.45; 15.5). O próprio Pedro teve problemas com alguns deles (At 11.2). Este incidente, talvez, explique o receio na atitude de Pedro em Gálatas 2.12. O que Paulo condenava, ao que parece, era o fanatismo de alguns (Fl 3.2) e não o ministério da circuncisão que lhes fora confiado (Cl 4.ll). Paulo chega a reconhecer os dois ministérios como sendo de procedência divina (Gl 2.7 ,8). Dois ministérios, mas um mesmo evangelho.

Paulo se submeteu à igreja-mãe, em Jerusalém (At 15.2,3.22), e quando menciona aqueles "que pareciam ser alguma coisa" (G1 2.6), parece referir-se aos mesmos que se diziam da parte de Tiago (Gl 2.12), mas que não foram enviados por este (At 15.24). Paulo, depois do incidente com os da circuncisão em Antioquia, subiu a Jerusalém para decidir sobre essas questões teológicas com os apóstolos e obteve deles todo o apoio, inclusive o de Pedro (At 15. 23-29). Portanto, a censura de Paulo em Gálatas 1.6,7 não é dirigida aos apóstolos, mas aos da falsa circuncisão (Tt 1.10), dos quais Pedro também foi vítima.


Não ao batismo e ao arrependimento?

"...Deixando os rudimentos da doutrina de Cristo..." (Hb 6.1,2).

Acreditam que este texto os isenta do batismo e do arrependimento. O batismo seria um rudimento a ser abandonado de vez pelos cristãos.

Resposta apologética

Mal interpretado pelos adeptos do MCG, o texto em referência não diz o que eles afirmam dizer. O que o escritor está dizendo tem sua razão em Hebreus 5.12-14. Todos os itens alistados nos versos 1 e 2 são os passos iniciais de quem ainda é novo convertido. Em contrapartida, pelo tempo que já estavam no evangelho, deveriam ser mestres. Mas, metaforicamente, ainda estavam se alimentando com "leite"; ou seja, com as primeiras doutrinas cristãs, da necessidade de se arrependerem dos pecados, de se batizarem, de terem fé em Deus, de ouvirem falar que haverá um juízo final, etc., ensinamentos voltados aos novos convertidos e não aos cristãos amadurecidos na fé, no conhecimento e na graça de Deus. Em verdade, já estava na hora de tais cristãos irem além dessas doutrinas e prosseguirem para a maturidade (perfeição) espiritual, tendo em vista as tribulações que estavam passando.

O texto não desobriga nenhum cristão da observância do batismo e das outras doutrinas, antes, está alertando quanto ao perigo de alguém estacionar naquilo que aprendeu. Se negarmos o batismo e o arrependimento, baseados nesse texto, teremos de negar também o juízo final, a fé em Deus e a ressurreição, coisas que os adeptos do MCG ainda crêem estarem em vigor.


Não existe mais pecado?

Pelo fato de não enfatizarem o arrependimento, acabam tolerando algumas práticas imorais. Dizem que não pecamos mais, porque Jesus destruiu nossos pecados de uma vez por todas (Hb 9.26).

Em resposta a uma pergunta relacionada à aceitação de homossexuais no MCG, e se os mesmos, vivendo na imoralidade, teriam a possibilidade de ser salvos, vejamos o que disseram: "Também é importante esclarecer que algumas manifestações carnais (bebedices, práticas homossexuais, iras, etc.) não podem, de maneira nenhuma, afetar a nossa posição em Cristo (Hb 10.14), tampouco afetar a nossa salvação: 'Porque pela graça sois salvos, por meio da fé' (Ef 2.8); as debilidades da carne não são tomadas em conta pelo Senhor, já que Ele vê o nosso crescimento espiritual e não a nossa atividade carnal".

Resposta apologélica

O apóstolo Paulo constantemente incentivava os crentes ao arrependimento (2Co 7.6-10). Além disso, a palavra aniquilar, "athetesis", no texto grego em pauta, não quer dizer destruição. Ela vem de "atheteo", que significa "pôr de lado", "desprezar", "negligenciar", "opor-se à eficácia de alguma coisa", "anular", "tomar sem efeito", "frustrar", "rejeitar", "recusar", "fazer pouco caso". De fato, Jesus anulou os nossos pecados na cruz, mas isto não quer dizer que o homem não peca mais e, por isso, não precisa de arrependimento. Isso não é verdade. O próprio Paulo reconhecia que era pecador (1 Tm 1.15).


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Infelizmente, algumas questões não foi possível responder aqui. O emaranhado de desvios sustentados pelo MCG poderia nos render um livro sobre o grupo. Esgotar o assunto, porém, não foi o nosso objetivo. Como percebemos, o MCG não passa de mais uma seita (entre tantas outras) que está pregando outro evangelho com outro Jesus (2Co 11.4).

O que expusemos neste artigo é uma pequena parte das inúmeras heresias que o movimento propaga, porém, cremos que tal abordagem seja o suficiente para alertar os verdadeiros cristãos, para que não se deixem enganar por "estes ventos de doutrinas" (Ef 4.14), especialmente pela roupagem evangélica que a maioria das seitas apresenta.

Estejamos atentos e engajados na perseguição da graça e do conhecimento de Deus (2Pe 3.18). Esses elementos caminham juntos e é prejudicial à vida cristã privilegiar um em detrimento do outro. O exagero geralmente conduz ao erro. A verdadeira graça, tal como é pregada nas Escrituras, nos conduzirá ao conhecimento, e este, por sua vez, será a ferramenta que sempre utilizaremos para rejeitar toda e qualquer tentativa de distorção da graça divina.


Fonte de Referência

http://www.brazil.creciendoengracia.com/. Ver links "Estudos", "Calqueo", "Cápsulas", "Perguntas", "Testemunhos" (2003), "Perguntas e Respostas" (2003) e "Cremos",

Desafio das seitas. Ano IV, nº 13 - 1 ° trim. 2000, p.12.

Desafio das seitas. Ano IV, n° 14 - 2" trim. 2000, p. 4.

Revista EI Apostolado. Outubro/ 1998.


Nota

1 El Apostolado. Revista periódica do MCG, publicada em outubro de 1998.